De um ano para outro, a Flipiri conseguiu ampliar o número de autores, de livros e de comunidades atingidas. Para 2012, pretende-se que essa atividade possa se tornar cada vez mais aprofundada, ampliando seu alcance na população local e incluindo 2 municípios próximos de Pirenópolis no projeto: Corumbá e Cocalzinho, que juntos tem mais de 5000 alunos matriculados em escolas da rede municipal e estadual de ensino.

A Flipiri, como é chamada, envolve dois aspectos fundamentais: a ampliação do acesso à leitura literária, a promoção de livros e autores. No primeiro, pela formação de mediadores de leitura (principalmente entre professores), pelas mostras e espetáculos literários e da associação da literatura com outras mídias (cinema e música, por exemplo) e pela formação de acervos literários em comunidades da zona rural e da periferia.

No segundo aspecto, ao reunir no lugar escritores brasileiros contemporâneos que apresentam suas obras ao público, em um diálogo sobre o prazer de ler, o fazer criativo e o trabalho editorial.

A FLIPIRI já teve edições em 2009, 2010 e 2011. Chegou a hora da 4° edição da Festa Literária de Pirenópolis.

A tradicional parceria entre o Instituto Cultural Casa de Autores e a Prefeitura de Pirenópolis/GO segue os eixos estabelecidos pelo Plano Nacional do Livro e Leitura – PNLL do Governo Federal, proporcionando a democratização do acesso, o fomento à leitura e à formação de mediadores, a valorização da leitura e o desenvolvimento do mercado livreiro.

OBJETIVO GERAL

Desenvolver atividades de fomento à leitura literária com apresentações artísticas para alunos das escolas de Pirenópolis, Corumbá, Cocalzinho, povoados próximos e para o público em geral com a renovação do acervo de salas de leitura com obras literárias e oficinas para professores.

JUSTIFICATIVA

Todas as ações de letramento envolvidas no projeto de realização da Festa Literária de Pirenópolis partem da constatação de que a literatura, ou melhor, a leitura literária tem sido considerada historicamente como algo elitista e que não tem chegado às pessoas comuns de municípios do interior do País.

Assim sendo, ao situar um evento de celebração literária no Centro-Oeste, fora dos grandes centros, a Casa de Autores e a Prefeitura de Pirenópolis querem superar esse estigma de elitização: leitura literária pode e deve ser levada principalmente àqueles que, por falta de recursos materiais ou por inexistência de programas educacionais e culturais, não tiveram acesso a ela.

As atividades de letramento literário propostas neste projeto se inserem num contexto social, econômico e cultural mar-cado pelas tensões entre a manutenção das tradições, por um lado, e, por outro, pela emergência de enfrentar os novos desafios trazidos pela necessidade de se ampliar o letramento em todos os campos, isto é, levar os cidadãos pirenopoli-nos a melhor se prepararem para refletir sobre as transformações de sua cidade, pelo impacto trazido pelo turismo, pelas novas relações de produção determinadas pelo agronegócio e pelas tecnologias da informação.

O projeto da FLIPIRI ao valorizar os aspectos lúdicos e criativos da literatura, busca superar também uma limitação: o fato de que, nas escolas, a leitura literária ocupa um papel secundário nas atividades de aprendizado da língua brasileira, utilizado apenas como pretexto para o estudo de ensinamentos de gramática.

Um aspecto relevante da celebração aqui proposta é o de superar o preconceito de que a leitura literária é tida como algo fastidioso, entediante e que não ocupa, nem deve ocupar, o imaginário de crianças e jovens em idade escolar. E muito menos a dos adultos que já saíram (ou nunca passaram) pelas escolas. Assim sendo, as ações de letramento literário do projeto da FLIPIRI se reúnem com o diagnóstico feito pelos especialistas sobre a leitura no Brasil (baixo número de livros lidos por ano, pouca acessibilidade dos livros, falta de hábito de leitura) e elege a formação de mediadores de leitura como uma prioridade, como consta de um dos eixos do Plano Nacional do Livro e da Leitura.

POR QUE EM PIRENÓPOLIS?

A cidade de Pirenópolis foi escolhida porque reúne, simultaneamente, as tradições e contradições de um Brasil recentemente urbanizado, mas ainda vinculado a um peso de aletramento das populações mais pobres e residentes no interior do Brasil.

Pirenópolis pode ser considerado como um microcosmo do Brasil, pois na cidade se encontram marcados o passado e as tradições, por um lado, e um presente pleno dos conflitos dos novos tempos, por outro.

O passado e as tradições estão inscritos na arquitetura colonial, preservada e tombada oficialmente, e também nas festas populares, como as cavalhadas, recentemente também reconhecidas como patrimônio imaterial.

Por outro lado, não deixa de ser influenciada pela proximidade de três grandes centros urbanos Anápolis, Goiânia e Brasília, pela emergência de práticas industriais e agropastoris intensivas, que acabam por influir na identidade cultural dos pirenopolinos.

Na esfera da educação, para uma população de pouco mais de 20.000 habitantes, Pirenópolis conta com cerca de 3.000 alunos no ensino fundamental, 1.000 alunos no ensino médio, cerca de 600 na Educação Infantil, e 200 no ensino superior.

Para atender a esses educandos, conta com aproximadamente 250 docentes atuando em cerca de meia centena de escolas, nesses níveis de ensino. Esses alunos e professores têm sido participantes privilegiados dos processos de letramento realizados pela Casa de Autores no Município de Pirenópolis.