José Mendonça Teles descreve bem Pérsio Forzani homenageado FLIPIRI 2013.

“O homem é um passageiro de si mesmo. Ingresso adquirido no cartório existencial ele entra na locomotiva, com dia e hora marcados para a chegada. E são muitos, milhares os passageiros que, diariamente entram e saem dessa engrenagem de ilusão que é a própria vida. E saindo como entraram, são despejados no anonimato das trevas ou na própria valeta do esquecimento. Mas, quando esse homem é um artista, um sonhador que passa pela vida desprezando a própria vida ele também passa, fisicamente passa, mas fica a arte, eternizada no moral das metáforas da sensibilidade. Hipócrates não dizia que “a arte é longa, a vida é breve”? Arte que Pérsio Forzani vem eternizando em sua terra, na difícil e desarticulada passada pelo território de suas pedras existenciais.

Ah, meu caro Pérsio, você que tem quase 3 mil quadros dependurados nas paredes do mundo – decorando salas de presidentes, ministros, embaixadores, governadores, empresários – por certo, tem a mesma indignação de Picasso: “Não, gente, a pintura não é feita para decorar apartamentos. É um instrumento de guerra ofensiva e defensiva contra o inimigo!“. E esses “instrumentos de guerra” que você vem fabricando desde os 8 anos de idade, mostram ao mundo de hoje, a garra e a perseverança daquele menino raquítico, de pernas atrofiadas, que nasceu no dia 8 de fevereiro de 1935 e hoje, dá lição de vida a todos nós pela pobreza franciscana, pela simplicidade e, sobretudo pelo bom humor com que encara e enfrenta as “passadas” dolorosas do dia a dia.

Sua casa simples, seu quartinho de sono onde também sonha e cria seus “instrumentos de guerra”, a cama “patente” onde descansa suas canseiras, mostra aos visitantes que seu arsenal de batalha está assentado na humildade do evangelho de Deus e, dessa humildade é que se desponta o artista, na universalidade de sua arte.

Pérsio Ribeiro Forzani, brasileiro, solteiro, artista plástico e cidadão do mundo, por projetar a sua cidade, a Pirenópolis colonial, com suas igrejas, ruas, becos e casarões pintados em suas telas a óleo em alto relevo, fazendo a alegria disputada de colecionadores. Passageiro de si mesmo, Pérsio Forzani vai caminhando seus passos pela casa da rua anduzeiro, auxiliado pela jovem estudante e empregada Ilva Damasceno Rosa. No quarto, o cavalete, o banquinho, os pincéis, as tintas e o artista, no cotidiano do seu sonho”.

(texto extraído da Gazeta Matutina – Dezembro 2005)